Fio.
Foto de Marie Sophie, Vitória, 2008. Fio.
Sony DSC-90, foto 1.188, ISO 80, sem flash, Velocidade 15, Diafragma 2.8, Black and White.
Foto de Marie Sophie, Vitória, 2008. Fio.
Sony DSC-90, foto 1.188, ISO 80, sem flash, Velocidade 15, Diafragma 2.8, Black and White.
Creio que posso comentar algo contando brevemente a história de minha casa, em Marabá. Quando eu era criança, o muro lá de casa servia apenas de enfeite, como aquelas cercas brancas dos filmes americanos nas casas de classe média. Aos poucos, o muro foi aumentando, adquiriu ofendículos e se tornou algo intransponível: perdi a visão e o contato com a rua. Arame farpado me lembra 2 coisas: cercado para o gado e campo de concentração. Isso é um lugar comum, mas aos poucos vamos nos tornando prisioneiros de uma fobia imaginada, que nós mesmos inventamos. Tenho uma tia que não sai à rua, em Jardim da Penha, depois que escurece, tem medo de morrer num assalto. O curioso é que a chance de ela morrer num assalto em JP é ridícula (apenas 1 tentativa homicídio em 2 anos) se comparada, por exemplo, à chance de morrer em um acidente de carro. Mas, enchemos nossas casas com muros, as ruas com policiais e as televisões se deliciam com tiroteios. Os carros, bem, os carros são símbolos de poder, status, sonho de consumo, conforto e, protegem das ruas.